quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Viajando de trem pela Europa, de Amsterdam a Roma


Parte I - De Amsterdam a Frankfurt de Trem

Roteiro: Amsterdam (Holanda), Frankfurt (Alemanha), Zurique (Suíça), Innsbruck(Áustria), VenezaFlorença e Roma (Itália).


Viajar de trem pela Europa é uma opção de viagem muito confortável, econômica, além de permitir que se conheça, de passagem, um pouco do interior, das fazendas com seus  campos plantados e floridos.  As paisagens são realmente maravilhosas!

Há alguns anos, de posse de um bilhete Europass, com direito a 5 dias de viagem de trem em  um mês,  voamos  do Brasil para a Holanda, decididos a iniciar uma aventura partindo de Amsterdam . Era minha primeira viagem pela Europa. Lembrando que naquela época não existia internet e ligações internacionais eram caríssimas. Era comum viajar e procurar o meio de hospedagem no destino. Portanto era tudo uma verdadeira aventura!

Após um par de dias hospedados em Amsterdam, pegamos um trem na estação central (Amsterdam Centraal - CS), com destino a Frankfurt, na vizinha Alemanha.
Tudo era novidade e a primeira boa surpresa foi o fato do bilhete Europass, comprado no Brasil, permitir o uso do vagão de primeira classe. O que proporcionou um conforto extra, já que as cabines são maiores com assentos mais confortáveis. Isso não quer dizer que uma cabine de primeira classe seja individual por usuários. Havendo assentos disponíveis será permitido o acesso de qualquer passageiro daquele vagão, às cabines. Por isso, você tem a chance de conhecer e interagir com muitos outros viajantes, indo para diversos destinos. Sim, pois um trem que vai de um ponto a outro na Europa, permite uma infinidade de conexões. Uma infinidade de gente entrando e saindo em diferentes paradas.

Apreciar os subúrbios de Amsterdam à medida que o trem deixava a cidade, me fez observar o quanto o europeu valoriza cada cantinho disponível de terra em um pequeno quintal, ou mesmo nos vasos nas varandinhas, para plantar não só flores, assim como ervas, tomates, temperos, etc.
A entrada do fiscal na cabine para verificar os bilhetes aconteceu logo no início da viagem. Importante: ao viajar com um bilhete aberto, não deixe de marcar a data que está viajando, a caneta (ou "queimá-lo" em algum sensor), antes de entrar no trem. Os fiscais podem até não aparecer, mas uma falta sua, se identificada, será imperdoável!

Ao cruzar a fronteira entre Holanda e Alemanha, não houve checagem de passaportes. A parada em Colônia foi incrível para apreciar a Catedral de Colònia (Kölner Dom). Se você viaja com um passe, por dia de viagem, quantas vezes entrar e sair dos trens naquele dia, não será cobrado. É um direito do passageiro.

Após algumas horas de viagem, ao fim do dia, estávamos chegando a Frankfurt. Uma nova cidade a ser explorada.

Leiam a seguir a continuação desta viagem que vai de Frankfurt a Zurique.

 

Parte II - De Frankfurt a Zurique

Diário de uma viagem que ocorreu em maio de 1995

“ Ontem comi um delicioso cachorro quente. Salsichas são deliciosas na Alemanha. Agora estamos em um trem com destino a Zurique, na Suíça. Fiz minha última despedida a estação de Frankfurt - Haupbanhof, andando por entre as lojinhas locais. Não sei quando voltarei por aqui.
Da janela do meu vagão começo a ver os campos ficando brancos. Aos primeiros sinais achei que fosse algum tipo de fertilizante misturado a terra, mas agora começo a notar, com mais nitidez, que se trata de neve. Acabo de ver um trem transportando carros, todos com o topo branco, coberto de neve grossa. Acho que verei muita neve pela frente. Maravilha!  (...)
Agora os campos não estão mais cobertos de neve. Em compensação vejo casas lindas, cada uma com seu amarrado de lenha no quintal. Ao contrário da Alemanha oriental, onde passamos por residências pobres e pequenas favelas juntas aos trilhos, esta parte ocidental  tem casas bem mais modernas e ricas. As paisagens estão se tornando cada vez mais pitorescas e temos passado por encantadoras cidadezinhas organizadas!
O movimento de casas está aumentando. Pressinto nossa chegada à cidade de Zurique. Ansiosa por saber o que nos espera! ”

Parte III - De Zurique a Innsbruck

Diário de uma viagem que ocorreu em maio de 1995

Por: Adriana Aguiar Ribeiro
"Como contei, fizemos uma mudança para lá de radical nos planos: ao invés de tomarmos o voo planejado para Viena, decidimos seguir de trem até Innsbruck, também na Áustria. Afinal, é muito mais cômodo ir até a estação e aguardar o trem na plataforma, entrar e se acomodar com as malas, que ter que passar por todo o estresse de deslocamento até o aeroporto, de fazer o check-in e imigração, que um voo internacional exige.
Embarcamos na estação de Zurique, Suíça. O clima dos viajantes que aguardavam o trem na plataforma fria era pura descontração. Grupos de mochileiros de todas as idades vestindo roupas coloridas levavam seus esquis e demais equipamentos para prática de esportes no gelo. Todos atraídos pela notícia de que neva muito pelos Alpes Austríacos.
Pela janela do trem observo que lá fora está tudo completamente branco. Neva sem parar! A paisagem está linda! Percorri quase todo o trem, atravessando cada porta automática, para chegar ao último vagão e me deleitar com a estrada branca ficando para trás, com seus lagos e a incrível vista proporcionada pelas maravilhosas montanhas dos Alpes. Ao retornar a minha cabine não resisti ao delicioso aroma da cafeteria. Parei no vagão restaurante e acomodei-me em uma pequena poltrona para bebericar um encorpado chocolate quente. É daqui que escrevo estas notas de viagem que algum dia, talvez, serão lidas por alguém."

 

Parte IV - De Innsbruck a Veneza

Impressões de uma brasileira em diário de uma viagem que aconteceu em maio de 1995

Roteiro: Amsterdam (Holanda), Frankfurt (Alemanha), Zurique (Suíça), Innsbruck(Áustria), VenezaFlorença e Roma (Itália).


Ontem a neve caiu de modo insistente, dificultando os deslocamentos. A cidade estava linda, completamente branca. Por isso ficamos um dia a mais em Innsbruck, aproveitando para descansar. E agora, finalmente, estamos seguindo viagem para Veneza. Os trens lotados estão muito concorridos, devido a tanta neve que caiu nos últimos dias.

Neste trem conseguimos uma cabine vazia na primeira classe. Achei estranha tanta facilidade, pois o trem está cheio. Decepção total ao descobrir que a tal cabine estava reservada, com o nome da italiana marcado do lado de fora. O que não vimos. Tivemos que engolir a troca de cabine, depois de uma curta argumentação, em meu italiano recém-aprendido. Acabamos em uma cabine para fumantes.

Temos visto muitos cachorros viajantes, que viajam sem a mínima cerimônia, na primeira classe e sentados nas poltronas.

Em nossa cabine viaja um casal de americanos. Contaram dos filhos, com 22, 26 e 28 anos, da vida e do trabalho. Ela tem uma loja de roupas. Ele disse que trabalha fazendo bomba atômica. Perguntei se ele trouxe uma bomba nesta viagem. Estou aliviada... Pois, ele disse que deixou no último trem!!!
Já não neva lá fora. Cruzamos a fronteira com a Áustria e passamos pelo rigor da imigração. Nesta parada duas senhoras fizeram uma rápida descida e trouxeram para dentro do trem uma bola de neve. Imagino que queiram levar de recordação para casa. Aff! Pelo caminho percebo que vai diminuindo o branco intenso da neve, sendo substituído pelo gosmento e lamacento derreter do gelo.

O alto-falante anuncia: “Signora i Signori...” Meus ouvidos não acreditam! Parece que estamos em casa! Depois de dias e dias com tanto Hof, Ger, Ein, estamos ouvindo um idioma latino, finalmente. O alto-falante anuncia que o almoço está sendo servido na “carroza ristorante”. Vamos ficar por aqui e lanchar o que trouxemos da Áustria: pretzel, refrigerante e chocolates. Estamos finalmente na Itália. Aqui o trem não tem sistema de esgoto próprio e me parece, vai deixando os dejetos sanitários, trilhos mais atrás...

Parando em Bolzano me lembrei de uns hóspedes que conheci na pousada em Farol de São Tomé, no começo deste ano.  E me pergunto: o que faz pessoas saírem de um lugar escondido como este e irem parar no Brasil, especificamente no Farol de São Tomé, um ponto tão distante no planeta?

A paisagem lá fora começa a ficar mais colorida e quente, com certa magia e encanto. Já me livrei do primeiro casaco pesado. Agora tiro o pulôver de lã. Uso apenas um suéter leve no momento. Tenho impressão de que vou gostar muito da Itália!” 


Clique aqui e leia sobre este roteiro na íntegra.

Para ler mais sobre a Itália clique aqui.

 

3 comentários:

  1. "Estou muito interessada neste tipo de viagem....................."

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  2. Monica Schonfelder30 de janeiro de 2014 09:42

    Ótima sua narrativa...parece que estou lá. Adoro viajar de trem também, podemos apreciar a paisagem e não tem o stress de check in dos aeroportos. Normalmente compro as passagens no Brasil com antecedência e o preço fica bem mais em conta. Um dos trechos que mais gostei foi Praga-Berlim. São 4h e meia que somos presenteados com paisagens alpinas, com diversos lagos e rios. Tem também um vagão restaurante bem aconchegante, onde podemos apreciar a paisagem enquanto comemos.

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    Respostas
    1. É verdade, Mônica! A viagem de trem tem muitos prós se comparada ao avião! Comprando com antecedência os bilhetes para o trem, em geral pegamos tarifas melhores que nos guichês.
      Obrigada pelos seus comentários e dicas, bjs,

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